Já faz algum tempo, fiquei pasmo com o que li num jornal. O artigo explicava parte do funcionamento do cérebro, dando ênfase ao modo como se acessa a memória. Como se sabe, o cérebro possui "filamentos", como fios, por onde circulam os neurônios, que são as células nervosas que formam a "fiação" do cérebro. Esses neurônios são os responsáveis pela recepção e transmissão das informações armazenadas em nossa memória. Por exemplo, se eu escrever "eu tenho uma grande bola", você recebe essa informação pelo sentido visual, e os neurônios a levam ao interior de seu cérebro. Lá, seu cérebro imaginará uma bola qualquer, seja de futebol, vôlei, basquete ou outra, mas uma bola com proporções avantajadas, e entenderá que "eu tenho uma grande bola". Como já disse, nosso cérebro é formado por filamentos, que são interrompidos vez ou outra e interligados por algo como uma "ponte", chamado sinapse. Existem no cérebro humano cerca de 100 bilhões de neurônios e 60 trilhões sinapses, ou seja, há muito mais dessas "pontes" do que de neurônios que transitam por elas. E aí reside algo curioso. Um certo cientista relatou na reportagem que, quando a pessoa faz pouco uso de seu cérebro (pensa pouco), as sinapses são gradativamente obstruídas, o que dificultará a passagem dos neurônios quando for necessário pensar. É o mesmo que acontece com os carros, quando eles transitam pouco por uma estrada ou ponte. O mato ou a vegetação local tendem a crescer até fecharem totalmente a passagem, impedindo o trânsito. Assim, entendemos o motivo pelo qual Deus insistiu com Josué para que lesse e meditasse ininterruptamente o livro da Lei: "Não se aparte da tua boca o livro desta Lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito..." (Js 1.8). Neste texto, Moisés acabara de morrer e os judeus estavam prestes a entrar na Terra Prometida. A morte de Moisés foi súbita. Deus não permitiu a Josué se deixar levar pela tristeza da perda de seu líder a poucos instantes da conquista de Canaã. Então, Ele se revelou ao jovem e atraiu a atenção dele para a Sua Palavra, e insistiu para que Josué não deixasse de ler o livro e meditar. O Senhor insistiu nisso. Certamente, se levasse algum tempo para manifestar-se a Josué, o medo, a covardia, a insegurança e a fraqueza tomariam conta dele e obstruiriam sua mente, sua capacidade de raciocínio. Daí a necessidade de "meditar na lei dia e noite", a fim de que as palavras e promessas de Deus influenciassem seus pensamentos e povoassem sua mente. Com isso, as sinapses de Josué seriam todas desobstruídas para que os neurônios circulassem livremente, dando-lhe maior rapidez no raciocínio, clareza e visão das estratégias que deveria seguir durante o momento da conquista. No Novo Testamento, o apóstolo Paulo também insiste para que tenhamos a mesma atitude: "Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai" (Fp 4.8). O apóstolo aconselha-nos a pensar somente em coisas que nos influenciem de maneira positiva. Até mesmo pelo fato de que, se meditarmos em textos bíblicos constantemente, será mais fácil obter alguma revelação espiritual. Deus fala coisas que estão de acordo com a Sua Palavra. Assim, se nossa mente estiver em sintonia com a sua Palavra, será mais fácil existir um relacionamento pessoal com o Seu Espírito. À medida que usamos nossos neurônios para armazenar textos bíblicos, eles circulam pelas sinapses a fim de conduzir pelo nosso cérebro aquilo em que meditamos. E essa meditação constante torna livres todos os caminhos de nosso cérebro para que na primeira necessidade ele esteja saudável e pronto a nos fornecer ricas revelações espirituais e idéias sempre novas e criativas. Como já dizia o velho ditado: "Mente vazia, oficina do diabo". Nunca essa expressão foi tão verdadeira. Mas... a propósito, em que você estava pensando mesmo?
Pr. Magno Paganelli
Fonte: www.missaovem.com
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